domingo, 23 de outubro de 2016

Tem algo sobre o teu abraço, que nunca fui capaz de explicar,
Então, perdoe essa tentativa, se ela falhar.

Teu olhar sempre traz consigo um complemento,
que preenche meu coração,
Teu sorriso, e toda alegria que consegues compartilhar com ele,
mesmo aquele que disfarças,
mesmo aquele que tenta ser abafado,
mesmo aquele carregado de rubor.
é como se com ele nunca pudesse existir sozinho
e me convidas com o olhar a partilhar do teu riso.

Perceba, que é provável que eu realmente falhe nessa narração,
afinal me desvio da proposta inicial a cada estrofe terminada.

Teu abraço,
Para mim é um acontecimento, eu ouso lhe revelar,
o movimento, a pressão aplicada no encontro dos corpos,
o perfume, a energia, o sentimento,
o silencio, as palavras quase sussuradas,
e toda boa lembrança que desperta em mim
toda vez que volto a poder te sentir comigo.

Que tarefa essa, tentar explanar assim, sentimentos e pensamentos que me povoam,


terça-feira, 18 de outubro de 2016

A fotografia me trouxe uma memoria, uma memoria de sua risada, seu jeito alegre e sobre como era bom podermos rir juntos...
ao pensar sobre isso, decidi refletir um pouco mais sobre o sorriso dela, e sobre todas as vezes que o vi se formando. Ao lembrar sorri junto, quase involuntariamente. Em todas as vezes que os vi, seu sorrisos, sempre foram tão sinceros, e tão carregados de uma energia que eu só pude me sentir grato, por poder apreciar. Sem duvida alguma existe uma beleza poética sobre o seu sorriso.
Mas então algo me chamou atenção, uma memoria me veio, e se repetiu em mim, me fazendo mais uma vez ponderar...
Eu sei, assim como outros também sabem, que sorrisos as vezes escondem e disfarçam lágrimas, e evitam, ou ao menos ajudam a mascarar as dores passadas, e as angustias que nos poluem a mente.
O sorriso dela, sempre foi sincero, mas nessa memoria, eu me vi, questionando e um tanto preocupado, em saber do quanto daquele sorriso, não lhe surgiu como um recurso de defesa. Me prendi nessa lembrança, e recordando achei perceber minimamente, um momento, quando sua mente se turvava como água, e isso acabava refletindo em seu rosto, seu semblante mostrava alguma preocupação, seus olhar ficava levemente longe. Mas logo essa expressão mudou, e novamente seu sorriso se acendeu. Como se magicamente ela tivesse afastado tudo de ruim, e voltasse apenas a ser como sempre fora. Seus olhos se estreitaram e seus lábios desenharam aquela forma, que já me era tão familiar. Um perfeito, sorriso brilhante surgiu.
Como um farol que brilha sua luz a fim de guiar e trazer esperança a navegantes no escuro. Seu sorriso guia os sentimentos, e atrai mais sorrisos, para compartilharem de sua alegria.
Eu agora, apenas posso imaginar, tudo o que povoa seus pensamentos e todos os motivos que poderiam levar sua mente a se perturbar. Poderia ainda, tentar adivinhar quantas vezes seu sorriso cedeu lugar a tristeza, e quantas vezes ele surgiu apenas para que ela não mais lhe fizesse chorar...
Mas o que eu gostaria mesmo, nesse exato momento, é poder lhe dar motivos sinceros, para sorrir. Gostaria de poder presentear de volta, um pouco da luz que seu sorriso acende. Gostaria de rir junto e compartilhar sentimentos.
E quem sabe, mesmo que fosse primariamente para distanciar a tristeza, voltar a fazer seu sorriso poeticamente lindo, mais uma vez brilhar.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Houve silencio.
Quase que absoluto.
Quase,
pois haviam ruídos em minha mente,
e muito mais coisas se empilharam,
pressionando,
protestando,
sofrendo,
com o silencio.
Mas não houve nada,
só o silencio.

Eu não encontrei uma razão para ele,
Motivos?
organizados por ordem de importância.
Razão, não.
Pois isso, pediria que racionalmente,
eu finalmente explanasse tudo o que se amontoa na mente,
E isso quebraria um silencio compartilhado.

Quando o silencio chega,
e você não se vê digno que quebra-lo,
existe uma espera, a fim de que a outra possa encerra-lo,
Mas não aconteceu.
Apenas houve silencio.
E ele doeu como deveria,
Por bem mais tempo do que gostaria,
De um jeito que nunca achei que suportaria.

Quando houve o silencio,
minhas janelas se fecharam,
os cômodos ficaram escuros,
e isso não doeu tanto no inicio,
pois achei que a luz seria forte
 e passaria por entre as frestas,
mas não aconteceu,
e o silencio permaneceu.

Os dias se passaram,
e meus olhos passaram a sentir dor,
coma intensidade da luz.
Me mantive de novo no escuro,
evitando contatos.


segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Dor

As dores me consomem hoje,
Tomei o necessário para suporta-las,
mas tenho medo de me livrar delas completamente,
pois quando meu corpo não gritar tão ferozmente,
quando os analgésicos permitirem que minha mente se acalme,
sei que acabarei sendo tomado pela dor de minha alma.

Eu sorri por instantes,
quando vi que movimentar o braço me causava dor,
Em minha mente aquilo era bom,
era preciso.

Senti o incomodo,
progrediu para dor intensa,
me prejudicou em tudo que pretendia fazer,
tomei as drogas recomendadas,
a dor aliviou, e quase sumiu.

Esse é o ritual que ansiava que se repetisse,
mas as dores do coração não passam,
elas progridem na alma,
e não doem com o movimento,
e sim com o pensamento,
Então como parar de pensar?

sábado, 17 de setembro de 2016

dores de saudade

Tomei todas as drogas que podia,
tentando acabar com  dor,
Mas nenhum analgésico alivia o que sinto,
Eu comecei a perceber que a dor em mim
já não era física,
A dor vem, sempre que sinto tua falta.

Estar no teu abraço me fazia sentir tão bem,
Fechei os olhos tentando trazer essa memoria,
Fiquei tão nervoso, quando nada veio.
Eu comecei a lembrar,o momento se repetia em minha mente,
Mas ainda não sentia,
nada vinha.
A dor se intensificou,
e escorreu pelo meu rosto,
Os olhos ardiam tanto,
E então consegui sentir.

Quando te abracei, 
O fiz tão lentamente,
 acreditando que duraria mais tempo,
Eu só queria que o mundo me deixasse te ter,
que o abraço não tivesse que acabar;
E você me apertou mais forte,
Estávamos recomeçando algo que nem tinha terminado.
Senti teu cheiro,
e o arrepio percorreu de novo minha pele, 
Eu tinha você comigo,
E naquele momento eu era completamente seu,
Nem falamos nada.
Apenas sentia como aquilo era bom.

Mas sua voz veio a mim,
E eu não consegui falar nada,
E então senti de novo tua falta, enquanto se despedia.


quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Pareciam Urubus

O que eu vi eram urubus,
eles ficavam indo e vindo,
bicando, chutando, cutucando
observando, instigando, esperando,
voando, gritando, pousando,
remexendo, em toda aquela bagunça recém criada.
Não, não estavam errados,
Isso era o que eu via,
era apenas o que eu via;
animais ansiosos, agitados,
com seus gritos, e suas afobações,
que podiam ser confundidos com qualquer coisa,
dor, raiva, indignação,misericórdia,  satisfação, curiosidade...
Eu vi animais,
sobrevoando uma carcaça,
e eu me senti mal;
eles não viram nada,
apenas a vida sendo como sempre foi,
e provavelmente sempre será.
( E ficaram satisfeitos com isso)

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Cabeça baixa. Caminhar rápido, o mais rápido que pudesse dar, enquanto tentava não ser notado. A postura não negava seu desconforto. Braços colados ao corpo, apertando a alça da mochila contra o ombro. A chinela não queria ficar no pé, tinha quebrado de vez. Ele só queria chegar na rua de casa, aquilo lhe bastaria pra tirar o calçado do pé, e correr pra casa, lá ele tentaria ver se outro prego funcionaria, mas no fundo sabia que não era mesmo uma opção; só que jogar fora também não.
- Droga. - Lembrou que o lápis e a caneta não estavam mais com ele. Tinha emprestado. Tinha emprestado? Certeza que não iam mais aparecer. Ele só entregou porque não podia mais arranjar confusão, e o moleque na sala estava ameaçando dizer pra professora que ele tinha roubado. Onde já se viu? Roubar as próprias coisas.  – Droga. – Não tinha como comprar outras não, caderno já estava no fim também. Talvez a professora pudesse arranjar outro, ela que passa tanto dever, já está no livro, porque ele tinha que copiar tudo? Isso não é problema pra agora. Basta se concentrar em chegar em casa.
Finalmente – pensou aliviado, ao abrir a porta da sala. Pegou os chinelos na mão e levou pro quintal.
- Cheguei. Benção? – falou pra avó que tinha ido ver o que ele fazia.
- Deus abençoe. – e tossiu. Tossiu muito. Ele ficou preocupado.
– Vá tomar banho pra poder almoçar. Deixa pra ajeitar isso ai depois. – falou ela, indo pra geladeira e encheu um copo com agua e bebeu.
Jogou a mochila em cima da cama. Pegou a roupa e levou pro banheiro. No almoço, falou pra avó que tinha que ir pra escola naquela tarde.
- Fazer o que? – Achou estranho a velha senhora.
- Reforço. Reforço de português.
- Então tá certo. Mas é pra ir mesmo. Não é pra ficar correndo no ‘mei’ da rua não. Já disse que não quero mais meu “fi” andando lá pra baixo não. Terminar lá, é pra vir direto pra casa.
- Sim senhora. Vou mais pra lá não.
Lavou os pratos do almoço. Ficou vendo televisão com a avó. Quando ela adormeceu, ele foi trocar de roupa para ir a escola. Enquanto saia, ficou lembrando que a professora poderia manda-lo de volta pra casa, porque não tinha material.